População sofre com falta d’água até à beira do Rio São Francisco

José Dimas Xavier e o tambor vazio: água, só a cada 15 dias (foto: Luiz Ribeiro/EM/DA Press)
José Dimas Xavier e o tambor vazio: água, só a cada 15 dias (foto: Luiz Ribeiro/EM/DA Press)

Moradores sofrendo com escassez de água à beira do maior rio que corre inteiramente em território nacional. Essa é a situação enfrentada por habitantes de São Francisco-MG, no Norte de Minas, onde centenas de pessoas da zona rural vivem às margens do rio de mesmo nome, mas sofrem os efeitos da estiagem prolongada e precisam ser abastecidas por caminhões-pipa. “A situação do nosso município diante dos prejuízos da seca é calamitosa”, diz o prefeito Luiz Rocha Neto (PMDB). “O maior problema é que a água do Rio São Francisco, se não receber tratamento, não serve para o consumo humano, pois é muito poluída. Quem bebe dela sofre diarreia, problemas de pele e outras doenças”, explica.

Luiz Rocha Neto disse que atualmente os caminhões da Operação-Pipa, do Exército Brasileiro, levam água até a casa de cada morador da zona rural. Porém, afirma, o governo federal anunciou uma mudança no programa: a água será levada até determinado ponto, onde será instalado um reservatório, e os moradores próximos ficarão responsáveis por se abastecer no local, da forma que puderem. “O governo quer que as prefeituras comprem e instalem os reservatórios. Mas, no pico da seca, os municípios estão sem dinheiro e não podem bancar essa despesa”, reclama.

Atualmente, rodam no município 15 caminhões-pipa, com a tarefa de abastecer mais de 10 mil pessoas. Segundo o prefeito, várias comunidades vizinhas às barrancas do Velho Chico se abasteciam com água de córregos e pequenos rios da bacia, mas eles secaram. A situação se repete em outras cidades da região, como Francisco Sá, uma das mais castigadas pela estiagem.

Na comunidade de Angicos, o agricultor José Dimas Xavier, de 60 anos, conta que o Rio São Domingos, que passava próximo de sua propriedade, desapareceu completamente. Ele disse que só não passa necessidade maior porque recebe água do caminhão-pipa, porém apenas a cada 15 dias.

Não é o suficiente para escapar dos prejuízos da estiagem prolongada. “Eu tinha umas 260 reses. Por causa da seca, agora só restam 60”, diz o agricultor, explicando que foi obrigado a se desfazer da maior parte do rebanho, para não deixar os animais morrerem de fome e sede. De acordo com o técnico João Luiz Silveira, do escritório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), por causa da falta de chuvas, 95% das lavouras de milho do município foram perdidas na safra 2014/2015, enquanto as perdas nas pastagens foram de 50% a 70%.

Via EM

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